Ben Bennet

sábado, 19 de junho de 2010
Histórias que se passam em florestas são geralmente rodeadas por mistérios. Esta não é diferente, porém, além dos mistérios, é também rodeada por um grande muro. Aqui relato a história de um esquilo que vivia com sua família na floresta Wood.
A grande reserva abrigava centenas de pequenas famílias de animais. Em especial uma composta por esquilos. A família Bennet era a líder dos moradores de Wood. O senhor e senhora Bennet viviam no topo da mais alta árvore dentre as milhares que ali existiam.
O que os moradores da floresta jamais questionavam era o porquê de haver um muro nas redondezas do local, que os impedia de conhecer qualquer outra coisa além de suas casas. Esse mistério perdurava já há séculos. Era de conhecimento popular de que não havia nada para além do enorme muro. Assim, evitavam-se questionamentos.
Nesse contexto nasce Ben Bennet, primeiro filho da família líder de Wood. Seus pais o aguardaram durante anos, e como era de se esperar, a alegria com sua chegada foi tamanha.
O tempo passou e já tomando consciência de seus atos, e com personalidade formada, Ben, adolescente, teve sua primeira conversa com sua mãe sobre o muro que cercava a floresta onde viviam. Como resposta as suas perguntas ele recebeu:
- Isso não é questionável, Benny. Não há nada lá fora. Ali acaba o mundo.
Na semana que se seguiu a conversa, Bem não parou de pensar sobre o que a mãe dissera. Não engolia aquela informação. Era diferente dos moradores dali, sabia disso, e acreditava que se sua mente lhe permitia viajar a mundos distintos, como aqueles com os quais sonhava constantemente, então haveria mais além daquele muro.
Numa noite de lua cheia, tomou a atitude de descobrir a verdade sobre aquela história. O plano era ir até os limites da floresta, escalar o muro até o topo e descobrir outro mundo, exatamente como ele sonhava. Contudo, o que viu não era o esperado e não lhe agradou.
O esquilo Bem se deparou com o mundo globalizado do século XXI. Viu passar em sua frente todo o horror com o qual os homens estão sujeitos a lidar. Crianças passando fome, gente matando gente, morrendo, sofrendo. Viu também explosões, armas. Pouco verde. Muito cinza e muita fumaça.
Apavorado, ele rapidamente desceu do muro e se prometeu nunca mais ir até ali. O que viu o deixou com medo. Indo de volta para casa ele se deu conta de que o que buscava não existe fora do conforto de seu lar; tudo o que imaginava para si era dificultado pela tamanha destruição em que o mundo se encontrava. Agradeceu por estar protegido pelo grande muro de Wood.

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